Em nosso cotidiano nos deparamos constantemente com diversos gêneros textuais, desde um cupom fiscal do supermercado ou um ingresso do show do grupo musical do momento, até um contrato de locação de um imóvel, ou seja, interagimos, socialmente, por meio de textos. Como produções humanas, os gêneros estão ligados à cultura e às tecnologias da escrita disponíveis. Eles surgem ancorados nos gêneros já existentes e com o objetivo de suprir as nossas necessidades comunicativas. Assim, não podemos ignorar essas mudanças que afetam também as situações de ensino/aprendizagem da língua.
Cabe ao professor trabalhar com os alunos os diversos gêneros textuais que circulam socialmente. É de importância que os alunos compreendam a função social desses gêneros e que o estudo do texto não se restrinja às composições tradicionais, com as quais trabalhamos em sala de aula: descrição, narração e dissertação, como se fossem os únicos meios de comunicação.
Alguns autores como Schneuwly e Dolz defendem a necessidade de envolver o aluno em situações concretas de linguagem, de forma a conseguir meios adequados aos fins que desejam, pois escola é um lugar autêntico de comunicação, que permite ocasiões de produção e recepção de textos. O aluno deve ter as possibilidades de escrever com uma intencionalidade.
Conforme Bunzen apud Geraldi, "Nosso aluno deveria, ao produzir um texto, assumir-se como locutor, o que implica: ter o que dizer. Ter razões para dizer o que se tem a dizer, ter para quem dizer o que tem a dizer, assumir-se como sujeito que diz o que diz para quem diz e escolher estratégias para dizer". (2009, p.149)
Cabe ao professor possibilitar situações de aprendizagem que contemplem essas condições de produção. Além disso, a prática de se trabalhar os gêneros textuais só tende a trazer benefícios, uma vez que os alunos obteriam subsídios para uso da linguagem, sendo capazes de se expressarem de diversas maneiras no seu cotidiano, de forma a interagir socialmente de modo mais adequado.
Somos extremamente cobrados pelos órgãos educacionais através das provas externas. A cada edição, percebemos a utilização dos gêneros textuais como eixo organizador do ensino de língua materna. Não podemos pensar que trabalhar como os gêneros textuais seja tarefa exclusiva do professor de Língua Portuguesa, mas também de todos os outros conteúdos.
Rejane Maria Oliveira Eles
Supervisora do PIBID/LETRAS/E.E.AZARIAS RIBEIRO
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